Ex-bispo da Universal revela que fogueira santa de Angola arrecadava 30 milhões por ano

Ex-bispo afirmou em entrevista à Folha que a Igreja Universal teve por 7 anos um esquema ilegal de remessa de dinheiro da África para Europa

Segundo a reportagem do jornal “Folha de São Paulo”, a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) de Angola operava um esquema ilegal de envio de dinheiro para Europa. Segundo Alfredo Paulo Filho, um ex-bispo que trabalhou por 10 anos próximo à cúpula da IURD na Europa, como a Angola era o país africano que mais arrecadava dinheiro na fogueira santa (cerca de 13 milhões de dólares por ano ou quase 30 milhões de reais na cotação de 2008), os pastores da IURD enviavam cerca de 6 milhões de dólares para a instituição em Portugal.

De acordo com a entrevista dada pelo ex-bispo à Folha, os pastores escondiam o dinheiro no estepe ou na porta de veículos para irem de carro até a África do Sul. De lá, o dinheiro seguia no jato particular de Edir Macedo até Portugal onde era depositado na conta da igreja portuguesa como se fosse dízimo arrecadado lá.

O dinheiro, segundo a versão dele, teria sido utilizado para financiar a IURD e sua emissora de TV, a Rede Record, na Europa. Ainda segundo Alfredo, o bispo Edir Macedo, fundador do ministério sabia de todo o esquema e coordenava tudo. “Ninguém faz nada na Universal sem o bispo saber. Essa coisa de que ele não sabe é conversa. Tanto que ele ia no avião. Ele sabe tudo”, declarou à Folha.

Alfredo Paulo Filho, ex-bispo da Igreja Universal (Marina Dias/Folhapress)
Alfredo Paulo Filho, ex-bispo da Igreja Universal (Marina Dias/Folhapress)

O advogado e professor da FGV-SP Edison Fernandes disse à Folha que, em tese, haveria crime de evasão de divisas e lavagem de dinheiro no caso.

“Evasão de divisas é enviar ou manter no exterior recursos não declarados. Lavagem é usar em operações lícitas dinheiro ilícito.” Nesse caso, diz, “o dinheiro era ilícito porque não estava declarado”.

Paulo Filho deixou em 2013 a igreja, conta, após trair a mulher com prostitutas. A informação, diz, chegou à cúpula da igreja, que o rebaixou a funções administrativas.

Procurada pela Folha, a Igreja Universal do Reino de Deus afirmou, por meio da assessoria, que “prepara um processo judicial contra o ex-bispo” Alfredo Paulo Filho por calúnia e difamação.

“Portanto, não se pronunciará sobre o assunto fora dos tribunais”, afirmou.

“Confiamos que a Justiça brasileira, mais uma vez, revelará onde está a verdade nesta mais nova tentativa de manchar a imagem da Universal, punindo exemplarmente o mentiroso”, ressaltou. A Rede Record não quis se manifestar.

 

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